sexta-feira, 11 setembro , 2026

Bullying escolar cresce no Brasil e pode gerar responsabilização de escolas

O número de denúncias de bullying escolar no Brasil cresceu significativamente nos últimos anos e acende alerta para escolas, famílias e autoridades. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos apontam mais de 2,3 mil denúncias em 2024, um aumento de 67% em relação a 2023.

Além do impacto psicológico nas vítimas, especialistas destacam que instituições de ensino podem ser responsabilizadas judicialmente quando há falha na prevenção ou na intervenção em casos de intimidação entre alunos.

Casos de violência entre estudantes aumentam

Estudos apontam que a violência interpessoal nas escolas brasileiras cresceu 250% entre 2013 e 2023. Em 2019, cerca de 40,5% dos alunos relataram já ter sofrido algum tipo de bullying, principalmente meninas, estudantes de escolas públicas e adolescentes entre 13 e 15 anos.

Os impactos vão além do ambiente escolar. Pesquisas indicam que 24,1% das vítimas afirmam sentir que “a vida não vale a pena”, o que evidencia a relação do bullying com quadros de ansiedade, depressão e até risco de suicídio.

O problema também afeta o rendimento escolar. Estudantes vítimas de agressões frequentes costumam apresentar queda no desempenho, maior número de faltas e, em casos mais graves, abandono dos estudos.

Lei obriga escolas a combater o bullying

No Brasil, a Lei 13.185/2015 criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying), determinando que escolas adotem medidas preventivas e educativas.

Entre as obrigações estão:

  • capacitação de professores e funcionários;

  • campanhas de conscientização;

  • orientação às famílias;

  • acompanhamento psicológico e jurídico das vítimas e dos agressores.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também estabelece que crianças e adolescentes devem ser protegidos contra negligência, violência e constrangimento.

Caso haja omissão, a escola pode responder judicialmente.

Escolas podem pagar indenizações

Pela legislação brasileira, instituições de ensino podem ser responsabilizadas mesmo sem comprovação de culpa, caso seja constatada falha no dever de vigilância.

A responsabilidade objetiva está prevista no Código Civil (arts. 932 e 933) e no Código de Defesa do Consumidor (art. 14). Em escolas públicas, aplica-se ainda a responsabilidade do Estado prevista na Constituição Federal.

Segundo especialistas, a omissão pode resultar em indenizações por danos morais e materiais às vítimas.

Levantamentos indicam que ações judiciais envolvendo bullying escolar passaram de duas em 2020 para cerca de 280 em 2024.

Prazo para processar pode chegar a cinco anos

Durante participação no podcast Notisul Negócios, os advogados Cirlene Stelzner Jung e Marcelo Jung, do escritório Jung Stelzner Advocacia, explicaram que muitos casos não são denunciados imediatamente pelas famílias.

“Muitas famílias preferem abafar o caso para evitar exposição. O problema é que aquilo não desaparece”, afirmam.

Segundo eles, o prazo para buscar reparação pode ocorrer anos depois. Isso porque o
prazo prescricional começa a contar aos 16 anos da vítima e se estende até os 21 anos de idade (5 anos para ingresso da ação).

“Mesmo que o estudante já tenha saído da escola, ele ainda pode buscar reparação judicial por algo ocorrido no passado”, destacam.

Impactos psicológicos podem durar anos

Para a psicóloga clínica Ana Simões, de Tubarão, o bullying interfere diretamente na construção emocional da criança.

“Na visão de Virginia Satir sobre o “fazer pessoas” (peoplemaking), os nossos modos de agir moldam e refletem a nós em sociedade. O bullying surge como um desvio nesse processo, criando um jogo de poder ainda na infância. Nessa fase, a criança é puramente sensorial e ainda não compreende totalmente as normas e leis sociais. Ao ser alvo de uma hierarquia que ela não entende — afinal, o outro deveria ser seu igual — isso gera efeitos profundos em sua visão de mundo (tanto para o opressor quanto ao oprimido)
Esse cenário pode causar o que chamamos de duplo vínculo: uma interpretação invertida dos afetos. A criança passa a acreditar, por exemplo, que quem a ignora é quem possui prestígio, e que o amor ou a amizade devem vir de um percurso difícil e espinhoso. Assim, o subconsciente entende que o amor ou a amizade “não vem fácil” ou ao caso do opressor que o “amor tudo suporta” , consolidando a ideia de que o afeto não vem de forma natural, o que prejudica gravemente a forma como ela estabelecerá seus futuros apegos e relações.”

Ana Simões
Psicóloga Clínica Sistêmica – CRP/SC 12/30207
Especializanda em Psicoterapia Sistêmica nas Relações
📞 (48) 996313625 Instagram: @psi.anasimoes_sc

Efeitos podem chegar à vida adulta

Pesquisas internacionais apontam que experiências de bullying na infância podem aumentar significativamente o risco de transtornos mentais na vida adulta.

Entre as consequências observadas estão:

  • depressão e ansiedade crônica;

  • transtorno de estresse pós-traumático;

  • dificuldades de relacionamento;

  • menor estabilidade profissional.

Especialistas defendem que o enfrentamento do problema depende de prevenção, diálogo e acompanhamento psicológico.

A implementação efetiva de políticas previstas na legislação, segundo eles, é essencial para proteger estudantes e evitar novos episódios.

Continue lendo

Horóscopo de hoje: veja as previsões para os 12 signos nesta sexta-feira (11)

IMAGEM IA Notisul Tempo de leitura: 5 minutos Lua em Virgem direciona as atenções para organização, rotina, planejamento e novos começos; confira o que o horóscopo...

Sexta-feira será de chuva forte e temperaturas amenas no Sul de SC

IMAGEM IA Notisul Tempo de leitura: 3 minutos Previsão indica instabilidade em Criciúma, Tubarão, Laguna, Imbituba e Braço do Norte nesta sexta-feira (11); litoral também terá...

Ex-prefeito de Jaguaruna é condenado por improbidade em contratos do transporte escolar

Sentença aponta irregularidades em licitações realizadas em 2019 e 2020 e determina suspensão dos direitos políticos por 12 anos; valor do ressarcimento ainda será...

Ponte Anita Garibaldi terá interdição total no sentido Sul durante a madrugada desta sexta, dia 11

FOTO NotisulTempo de leitura: 2 minutos Bloqueio no km 311 da BR-101, em Laguna, será realizado na madrugada desta sexta-feira, dia 11, das 23h (da...

Motorista sobrevive após carro cair de ponte de 15 metros em Gravatal

FOTO CBMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutosUm motorista de 63 anos foi socorrido após o Renault Sandero que conduzia sair da pista e...

UPA 24 Horas entra na reta final e deve atender 7,6 mil pacientes por mês em Tubarão

FOTO Notisul Tempo de leitura: 5 minutos A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas Dr. Manoel Bertoncini entrou na fase final de implantação em Tubarão....

Pelo Estado – O recado de Jorge Bornhausen ao PSD 

 O ex-senador catarinense Jorge Bornhausen disse hoje que “os filiados do PSD estão esquecendo de pedir votos para o candidato do partido, Ronaldo Caiado, e, com isso, a disputa eleitoral está se tornando um confronto entre duas quadrilhas”. Ele acrescentou: “Acordem!”.  O senador dirigiu a advertência a todos os filiados do PSD, a todos os candidatos a governador pelo PSD e aos demais candidatos do partido que estão apoiando outros candidatos ou esquecendo a chapa do PSD. Para o ex-senador, esses filiados, os militantes e os candidatos serão responsáveis pela disputa ficar restrita entre duas quadrilhas.  Um dos mais importantes líderes políticos da história do Brasil e um dos principais responsáveis pela Aliança Democrática,...

Chuva continua em Tubarão e ciclone mantém atenção para temporais na região

FOTO Notisul Tempo de leitura: 3 minutos Defesa Civil aponta possibilidade de chuva intensa, vento e granizo nesta quinta (10) e sexta-feira (11); Sul de SC...